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Da porteira para dentro: os novos hubs que estão levando inovação ao campo

Novos ecossistemas de inovação florescem em regiões importantes para o setor agropecuário, mas que têm pouca tradição em empreendedorismo. A principal vantagem é entender as dores reais de quem vive no campo. Conheça os novos centros tecnológicos que surgem no País

A cidade de Sertãozinho, no interior de São Paulo, é um dos principais polos industriais do Estado e referência no setor sucroalcooleiro. É lá que acontece, anualmente, a Fenasucro & Agrocana, principal feira do setor de bioenergia, que movimentou R$ 4,1 bilhões em negócios na edição de 2019.

Em breve, no entanto, o município pode se transformar também em um polo de inovação para o agronegócio. Esse é o plano do Bioenergy Hub, que acaba de iniciar suas atividades na cidade. O projeto quer acelerar startups com soluções em energias renováveis e fomentar o conhecimento.

“Queremos assumir a referência em bioenergia que já somos e tornar o Brasil um criador de tendências”, diz ao NeoFeed, o fundador do hub, Marcos Eduardo de Oliveira. O empreendedor também é responsável pelo Think Lab, companhia criada em 2019 e que apoia empresas na realização de hackathons e programas de inovação.

A inauguração do BioEnergy Hub não é um caso isolado de ecossistema se estabelecendo em regiões de menor tradição em empreendedorismo, mas longa história no agronegócio. Trata-se de uma tendência que vem ganhando força, especialmente nos últimos dois anos, com novos espaços sendo inaugurados mesmo em meio à pandemia em quase todas as regiões do Brasil.

Na Centro-Oeste, responsável pela produção de 46% de todos os cereais, leguminosas e oleaginosas do País, quatro hubs surgiram recentemente. O Conexa, iniciativa de inovação da empresa de software Siagri, e o Campo Lab, estão em Goiânia. Em Rio Verde (MT), há o Orchestra Innovation Center. Em Cuiabá, o Sistema Famato, que representa os produtores da região, inaugurou o AgriHub Space.

O estado de Minas Gerais, que lidera a produção brasileira de café, conta agora com o Agventure Hub, que abriu as portas em Varginha, região que abriga o primeiro Centro de Excelência em Cafeicultura do país.

No Nordeste, a Cyklo Agritech foi inaugurada em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, com o objetivo de fomentar o empreendedorismo na região conhecida como Matopiba, formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Por conta dos desafios climáticos, os produtores da região são mais inclinados a testar inovações, mas há uma escassez de startups.

O Hub Agritech, iniciativa do Parque Científico e Tecnológico da PUC-RS, que acaba de abrir as portas em Porto Alegre, surgiu justamente com a proposta de unir produtores, empreendedores, cooperativas e empresas na busca por inovação no campo. Não é o único a atuar na região. O Habitat Floema, braço do ecossistema Fábrica do Futuro, busca soluções com foco em sustentabilidade em agtechs e foodtechs.

Essa pulverização representa uma mudança importante. O Radar Agtech 2019, extenso relatório elaborado pela Embrapa em parceria com o fundo de venture capital SP Ventures e com a consultoria Homo Ludens, identificou 1.125 startups desenvolvendo soluções para o setor agrícola. Destas, 262, 23% do total, estão localizadas na cidade de São Paulo.

Não é um acaso o fato de que no Estado de São Paulo fica um dos mais importantes polos tecnológicos do setor. É o caso do AgTech Valley, em Piracicaba, que reúne o Agtech Garage, o Pulse Hub, iniciativa da Raízen, que produz açúcar e etanol, e a incubadora EsalqTec, um projeto da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) que neste ano completou 15 anos de existência.

A região de Londrina, no Paraná, também desenvolveu um ecossistema importante que surgiu ao redor da Sociedade Rural do Paraná, entidade que apoia a produção agropecuária da região. Iniciativas como o hackathon Smart Agro deram origem a agtechs importantes do ecossistema, como a Bart.Digital. Hoje, o ecossistema é conhecido como AgroValley.

O surgimento desses novos polos tem, porém, alguns entraves. É preciso criar todas as bases para que o ecossistema de fato se desenvolva, o que envolve negociações constantes com todos os elos da cadeia. “Além da localização, é preciso ter conexão com academia, setor público e privado, e investidores”, diz George Hiraiwa, produtor e presidente do AgroValley.

Hiraiwa ressalta que, além dos fundos que conhecem o setor de perto, como a SP Ventures ou o Yield Lab, há um interesse crescente em investimentos no setor por fundos generalistas. “Se você tiver um hub estruturado, um ecossistema com governança, isso faz muita diferença nessas conversas”, afirma o presidente do AgroValley.

De acordo com o Agri-FoodTech Investing Report 2019, o mais recente levantamento anual feito pelo AgFunder, um dos principais fundos de venture capital a investir no setor, as agtechs do Brasil receberam US$ 204 milhões em 2019, de um total de pouco mais de US$ 20 bilhões investidos no setor globalmente.

Celeiros de ideias

Em Sertãozinho, o Bioenergy Hub surgiu a partir da realização de um hackathon em parceria com a Fenasucro, em 2020. A primeira edição do Canathon contou com 18 finalistas. “Esse tipo de iniciativa é um celeiro de ideias, mas elas morrem se não tiverem acompanhamento”, afirma Oliveira, que decidiu, então, reunir os empreendedores e players do setor em um projeto de longo prazo.

O hub está estruturado em três frentes. A primeira é a pré-aceleração e a aceleração de startups. Hoje, já são 10 empresas sendo aceleradas. A estratégia é lançar cada uma no mercado à medida que suas soluções estejam mais maduras.

“Nosso programa prevê de quatro a seis meses de trabalho. Após esse período, ela pode continuar em nossa rede como parte do ecossistema”, diz Oliveira. A primeira acelerada é a Agromizer, que desenvolve uma roteirização digital da colheita de cana capaz de otimizar o processo, reduzindo o desperdício com combustível.

As outras duas áreas são a inovação aberta e a produção de conteúdo. A primeira vertente vai identificar demandas de grandes empresas e prospectar empreendedores capazes de atendê-las, em um modelo semelhante a outras aceleradoras.

O modelo de negócios não prevê a aceleração em troca de uma participação na startup. O hub vai cobrar uma mensalidade das startups interessadas em fazer parte do ecossistema. Os valores para participar da pré-aceleração e da aceleração virtuais ficam entre R$ 180 e R$ 380 por mês.

A inauguração de um espaço físico, inspirado no Station F, em Paris, um dos maiores centros de startups do mundo, está prevista para o segundo semestre de 2021. Com ele, serão oferecidos novos modelos de mensalidade.


Fonte: NeoFeed

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