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O financiamento do agro depende da digitalização

Atualizado: 25 de out. de 2023

Apesar da contribuição do mercado de capitais, a formalização dos títulos e garantias agrícolas acaba passando por estruturas não tão ágeis.

O financiamento do agro depende da digitalização


Nos últimos 20 anos, o Brasil triplicou a sua produção anual de grãos, saindo de pouco mais de 100 milhões de toneladas, em 2003; para 300 milhões, este ano. E, se forem confirmadas as expectativas, a safra 2023/2024 quebrará um novo recorde.


Essa expansão se deu graças ao uso intenso de máquinas, novas sementes e o reaproveitamento de pastos degradados, entre outros motivos.


Não é por menos que o agronegócio teve um papel decisivo na alta de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2023, com um avanço de 21,9% no período, o melhor desempenho desde 1996.


Para entregar esse resultado, o produtor rural precisa receber de maneira ágil recursos para financiar o plantio, a mecanização, a comercialização e a compra de terras.


Por isso, todos os anos o setor aguarda com muita ansiedade a divulgação do Plano Safra, que conta com volumes gigantescos, que ainda assim são insuficientes.


Segundo o Ministério da Agricultura, o Plano Safra atende a apenas um terço da necessidade de financiamento do setor.


Na safra 2022/2023, o valor anunciado foi de R$ 340 bilhões, e, para 2023/2024, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pleiteou R$ 403 bilhões ao Ministério da Agricultura, valor 18,5% mais alto.


Mas de onde vêm os outros dois terços que os produtores precisam para fechar as contas?


Produtores, cooperativas e agroindústrias contam com uma larga gama de instrumentos, como empréstimos com taxas de mercado, linhas especiais do BNDES, financiamento de fornecedores, emissão de títulos e até fundos de investimento, como o FIAGRO (Fundos de Investimento do Agronegócio).


Vale lembrar que esses recursos devem ser liberados de forma ágil, uma vez que os insumos agrícolas possuem uma janela de aplicação. Um exemplo é a lagarta do cartucho que, se não for controlada no timing correto, poderá acarretar perdas irreparáveis no cultivo de milho.


Em abril, o estoque combinado dos principais títulos do agro era de R$ 776,7 bilhões, de acordo com o Boletim de Finanças Privadas do Agro do Ministério da Agricultura.


Isso representa um aumento de 68,3% em relação aos R$ 461,35 bilhões registrados em abril de 2022. Apenas em LCA, o mais importante instrumento, o estoque em abril estava em R$ 390,12 bilhões, um aumento de 69% sobre o mesmo período de 2022.


Logo em seguida vêm as CPRs, com um estoque de R$ 239,89 bilhões em abril, o que representa um incremento de 81% no período de um ano.


Apesar dessa contribuição do mercado de capitais, a formalização dos títulos e garantias agrícolas acaba passando por estruturas não tão ágeis. Por isso, vem ganhando espaço a digitalização de todo o processo, desde a apresentação e formalização das garantias, passando pelo registro eletrônico nos órgãos competentes até a assinatura da formalização do negócio. Isso implica também em custo menor de emissão e em garantias mais transparentes.


Em média, a digitalização tem permitido que o tempo despendido em todas as etapas seja 85% menor. Essa agilidade é extremamente importante em algumas etapas da cadeia produtiva.


Para semear o solo, o produtor tem que equilibrar uma série de elementos: chuvas, aquisição de grãos, disponibilidade de mão-de-obra e equipamentos e crédito.


Ou seja, o produtor não pode atrasar o plantio por conta de uma etapa burocrática que poderia ser acelerada com a digitalização da Cédula. Infelizmente, hoje, CPRs eletrônicas representam apenas 32% do total de CPRs formalizadas pela Bart Digital em 2022.


É importante mencionar que durante a pandemia do covid-19 observamos um crescimento muito grande de CPRs eletrônicas, que um tempo depois ficou estacionado após a normalização das atividades presenciais.


Entendemos que as empresas precisam de uma situação que provoque mudanças em seus processos para que a digitalização deste e demais títulos seja ampliada.


Como o agronegócio no Brasil se financia não passa apenas pelos instrumentos a que o setor tem acesso, mas também pelas formas para materializar essas operações.


Hoje, do ponto de vista de liberação e uso efetivo dos recursos financeiros, trata-se de um fato que é possível conduzir todos os processos e trâmites administrativos com total segurança e em menos tempo.


Isso significa que o mercado conta com uma estrada larga e pavimentada para usar. Garantir que a produção agrícola brasileira continue em expansão, portanto, passa pela decisão de aproveitar ou não as oportunidades que estão aí.


Fonte: Agfeed

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